Raça

O Cão de Castro Laboreiro é originário da área geográfica que lhe dá o nome, o antigo concelho de Castro Laboreiro.
O decreto de 24 de Outubro de 1855 extinguiu o concelho de Castro Laboreiro, que passou a ser uma freguesia do concelho de Melgaço.
A freguesia de Castro Laboreiro (solar da raça), com mais de 40 lugares habitados, foi concelho desde 1134 (foral de D. Afonso Henriques?) a 1855, apresentando já no século XVIII uma população superior a 2000 habitantes. Os seus limites com a Galiza e concelhos/freguesias limítrofes estão inalteráveis pelos menos desde 1538. A sua área corresponde a um território próximo de 10 mil hectares, que se estende, a norte e a nordeste pela serra do Laboreiro, e a sul, pelo vale do Laboreiro e pelas faldas do topo nordeste da serra da Peneda, onde se situam algumas inverneiras da freguesia.

O espaço geográfico era de extremo isolamento; a maior parte dos lugares só tiveram estrada no final do século XX. No entanto, a região é de uma beleza extraordinária, apresentando vários tipos de paisagens, desde a vegetação rasteira em planalto, a altitudes superiores a 1000 metros, até densos carvalhais seculares, conservados em vales profundos, rodeados de escarpadas e gargantas graníticas, em cotas mais baixas.
O povo de Castro Laboreiro pratica pelo menos desde a primeira metade do século dezasseis, mudas sazonais de habitação (brandas e inverneiras), de contornos únicos em Portugal. A maior parte das famílias deslocavam-se – até há poucos anos – entre duas habitações várias vezes ao longo do ano, com todos os seus animais. Motivos: o clima rigoroso do inverno nos lugares das brandas, aproveitamento das pastagens e dos terrenos agricolas.

O isolamento da região sempre foi o principal aliado da raça na fixação das características morfológicas / étnicas.

Em Castro Laboreiro não há memória de ter havido vezeira de bovinos, por isso, cada vizinho guarda – no monte ou na propriedade privada – individualmente a sua fazenda de maior porte: o gado bovino, o cavalar/muar e algumas ovelhas. O cão ou cães da casa acompanham o pegureiro (pastor) durante todo o dia, regressando à casa para pernoitar.

Nos muitos dias de tarefas agrícolas realizadas com as vacas jungidas – ao longo do ano – que envolve toda a família e até vizinhos, o cão é presença obrigatória durante toda a jornada.Além dos animais de trabalho – de maior porte -, todos os lugares tinham o seu rebanho de ovinos e caprinos, que era guardado normalmente por dois vizinhos, escalonados por dia. Os cães que podiam acompanhar o rebanho do lugar também eram pertença dos pegureiros do dia.

Nos lugares de Castro, principalmente pela manhã ou final de tarde, era vulgar vermos a dona da casa na companhia da sua cadela na realização das mais diversas tarefas domésticas: deslocação à fonte, horta, palheiro, etc.

O animal cumpre assim distâncias curtas dentro da freguesia, ou seja, o cão de Castro Laboreiro, do ponto de vista funcional, aparece sempre no seio da família, contrariamente a outros mastins ibéricos envolvidos em grandes distâncias e longos períodos de transumância acompanhando a deslocação dos rebanhos e dos pastores.

O Cão de Castro Laboreiro, faz parte da cultura secular dos habitantes de Castro Laboreiro, os Crastejos. A defesa dos animais domésticos e a guarda da casa familiar, principalmente no período nocturno, foram as suas funções durante os últimos séculos. Os seus principais inimigos sempre foram os animais selvagens e as pessoas estranhas à casa familiar.

O Cão de castro Laboreiro é tão bom cão de guarda como é familiar e de companhia. A sua dedicação e docilidade para com os seus são conhecidas de todos.

A história, a geografia e o isolamento destas terras, proporcionou a herança de um legado patrimonial e cultural dos mais ricos do norte de Portugal. Referimos: a paisagem, as vias de comunicação antigas, as pontes, a arquitectura popular, o singular sistema de brandas e inverneiras, a fauna, a flora, o falar galego – português, a necrópole megalítica, o castelo, a igreja matriz, o cão, o fojo do lobo, o património comunitário e o religioso, os trajes, a música, a alimentação, o património imaterial, etc.

Fonte: Site da Associação Portuguesa do Cão de Castro Laboreiro (http://www.apccl.net)

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